Você pediu orçamento para três empresas e recebeu R$ 18 mil, R$ 90 mil e R$ 240 mil pelo mesmo aplicativo. Não é que duas estejam mentindo — é que as três entenderam coisas diferentes do que você pediu. E a culpa, quase sempre, não é sua: “aplicativo” é uma palavra que descreve produtos sem nada em comum.
Neste guia estão as faixas reais de preço por tipo de app em 2026, o que faz um orçamento dobrar de valor, quanto custa manter o aplicativo depois de publicado e as perguntas que derrubam o preço antes mesmo de você contratar.
Por que os orçamentos variam tanto?
Um app de catálogo que mostra produtos e abre o WhatsApp e um marketplace com pagamento, dois perfis de usuário e integração com o seu ERP são projetos tão diferentes quanto uma bicicleta e um caminhão. Ambos têm rodas. O preço não tem como ser parecido.
Na prática, três decisões respondem por quase toda a variação de um orçamento para outro:
- O escopo. Cada tela nova é projeto, código e teste. Cadastro de usuário, notificação push e pagamento não são “detalhes” — cada um deles é uma funcionalidade inteira, com regra de negócio e caso de erro.
- As plataformas. Android e iOS ao mesmo tempo, em código nativo, é literalmente construir duas vezes.
- As integrações. Conversar com o seu ERP, com a maquininha ou com o sistema da transportadora é o que separa um app bonito de um app útil — e é onde o custo cresce mais rápido, porque depende de sistemas que não são seus.
Tabela de preços por tipo de aplicativo em 2026
| Tipo de aplicativo | Faixa de preço | Prazo típico |
|---|---|---|
| Catálogo / vitrine | R$ 15.000 – R$ 45.000 | 1 a 2 meses |
| App com cadastro e área do usuário | R$ 50.000 – R$ 120.000 | 3 a 5 meses |
| App integrado ao seu sistema (ERP, CRM) | R$ 90.000 – R$ 250.000 | 4 a 8 meses |
| Marketplace ou plataforma com dois lados | R$ 200.000 – R$ 500.000 | 8 meses ou mais |
Catálogo ou vitrine
Mostra produtos, serviços ou conteúdo e leva o cliente ao contato. Sem login, sem pagamento, sem integração. É o app mais barato que existe — e, sinceramente, é o que menos justifica ser um app: quase tudo isso um site resolve melhor e mais barato.
App com cadastro e área do usuário
Aqui aparecem login, perfil, histórico, notificação push e conteúdo personalizado. É a faixa da maioria dos apps de relacionamento com cliente: clube de vantagens, área do aluno, agendamento. O salto de preço vem de tudo que ninguém vê — recuperar senha, tratar conta duplicada, cumprir a LGPD, apagar dados a pedido do usuário.
App integrado ao seu sistema
O app conversa com o ERP, o CRM ou o financeiro: consulta estoque de verdade, grava o pedido no sistema, mostra o boleto real. É onde um aplicativo deixa de ser vitrine e vira operação — e onde o orçamento depende menos do app e mais de quão bem o seu sistema atual deixa outras coisas conversarem com ele. Se ele não tem API, o custo mora aí. Vale entender antes como funciona a integração de sistemas, porque essa conta costuma pesar mais que o próprio app.
Marketplace ou plataforma com dois lados
Dois públicos (quem vende e quem compra), split de pagamento, avaliação, disputa, repasse. São, na prática, três produtos: o app de um lado, o app do outro e o painel que administra os dois. Quem orça isso como “um aplicativo” vai voltar pedindo aditivo.
Nativo, híbrido ou PWA: a escolha que mais mexe no preço
Depois do escopo, é a decisão técnica com maior impacto no orçamento:
- Nativo (Swift para iOS, Kotlin para Android): melhor desempenho e acesso total ao aparelho. Custa mais porque são duas bases de código. Faz sentido para apps que dependem de câmera, mapa, sensores ou muita fluidez.
- Híbrido (React Native, Flutter): uma base de código para as duas lojas. Entrega 90% da experiência por perto de 60% do custo. É a escolha certa para a grande maioria dos apps empresariais.
- PWA: roda no navegador e pode ser instalado na tela inicial, sem passar pelas lojas. O mais barato e o mais rápido de publicar. Perde em recursos de aparelho e não aparece na App Store — o que pode não ser problema nenhum se seus clientes chegam pelo link mesmo.
Se essa dúvida ainda está aberta, ela merece decisão antes do orçamento — escrevemos sobre ela em app mobile ou site responsivo.
O que está incluso num orçamento honesto
Um orçamento que só diz “desenvolvimento do aplicativo: R$ X” está escondendo trabalho — e esse trabalho vai voltar como custo extra. Confira se estes itens estão escritos:
- Descoberta e escopo: as telas e as regras, no papel, antes de programar
- Design de interface (UI/UX), não só “as telas prontas”
- Desenvolvimento das duas plataformas, se for o caso
- Back-end e banco de dados — o app é a ponta; o sistema que o alimenta é a maior parte
- Testes em aparelhos reais, não só no emulador
- Publicação nas lojas, incluindo a revisão da Apple (que reprova, e reprovar custa tempo)
- Garantia de correção de bugs após o lançamento e prazo dela
- Quem fica com o código-fonte no fim — e isto não é detalhe jurídico, é o seu ativo
O que você perde no app barato
Existe app de R$ 8 mil. Ele existe mesmo — e às vezes é a escolha certa para validar uma ideia. O problema é quando ele é vendido como se fosse a mesma coisa que o de R$ 90 mil. O que costuma ficar de fora:
- O código-fonte. Muita fábrica barata entrega o app publicado, mas não o código. No dia em que você trocar de fornecedor, começa do zero.
- A conta das lojas. Se o app é publicado na conta do fornecedor, o aplicativo não é seu.
- Escala. Funciona com 50 usuários e cai com 5.000, porque ninguém pensou no back-end.
- Manutenção. Android e iOS mudam todo ano. App parado quebra sozinho, sem ninguém tocar em nada.
Quanto custa manter um aplicativo depois de publicado
Esta é a parte que quase ninguém coloca na conta — e que, em três anos, costuma superar o valor do projeto inicial:
| Custo recorrente | Valor típico |
|---|---|
| Manutenção e correções | A partir de R$ 2.000/mês |
| Hospedagem e infraestrutura | R$ 200 a R$ 12.000/mês, conforme o uso |
| Conta de desenvolvedor Apple | US$ 99/ano |
| Conta de desenvolvedor Google | US$ 25 (taxa única) |
Some a isso as atualizações obrigatórias: todo ano as duas lojas exigem que o app seja recompilado com a versão nova do sistema, ou ele sai do ar. Não é opcional e não é melhoria — é aluguel.

5 perguntas que reduzem o seu orçamento
- Qual é a única coisa que o app precisa fazer no primeiro mês? Quase todo orçamento inflado é uma lista de desejos disfarçada de escopo. Corte para uma função e lance.
- Isso precisa mesmo estar na loja? Se a resposta for “para o cliente não esquecer da gente”, um PWA ou um bom site resolve por uma fração.
- Meu sistema atual tem API? Descubra antes. Essa resposta pode mudar o orçamento em dezenas de milhares de reais.
- Preciso de iOS agora? Se 80% dos seus clientes usam Android, lance em um só e use o dinheiro do outro para melhorar o que ficou.
- O que acontece se der certo? Se a resposta envolve 10× mais usuários, isso é decisão de arquitetura — e sai muito mais caro depois.
Você precisa mesmo de um aplicativo?
É a pergunta mais cara que existe, e é melhor respondê-la antes de assinar. Aplicativo faz sentido quando o cliente volta com frequência, quando você precisa de notificação push ou de recursos do aparelho, ou quando o app é o produto. Para quase todo o resto, um site profissional ou um sistema personalizado entrega mais resultado por menos dinheiro.
Se você está com orçamentos na mesa e não sabe qual faz sentido, fale com a gente. A gente diz inclusive quando a resposta é “não faça o app” — sai mais barato para todo mundo.